quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A 6ª Noite

- Nem penses. Volta por onde vieste – sugeri-lhe enquanto passava ao lado dele, procurando as chaves na minha mala.
- Mia… Vá lá, não sejas assim… Eu prometo que não mordo. Ups, nenhum trocadilho subentendido. Vá, deixa-me entrar – continuou ele, como se eu lhe devesse alguma coisa. Suprimi a vontade de lhe mostrar um certo dedo e limitei-me a abrir a porta e a entrar. Ele fez tenção de me seguir, mas talvez pelo facto de lhe ter dado com a porta na cara, ele ficou à porta, e não entrou, mas continuou a gritar e a bater à porta.
Ignorei-o e ia para o meu quarto quando o JP me interceptou.
- Quem é aquele à porta? – perguntou, ligeiramente divertido.
- Um rinoceronte de calções aos corações cor-de-rosa. Quem é que achas? O anormal do Sérgio! – gritei, perdendo a noção do que dizia, com a fúria a toldar-me a lógica.
- O Sérgio? Nem sabia que andavas a falar com esse outra vez… - e aqui hesitou, esperando um relato que eu, obviamente, não lhe ia fazer. O meu irmão era muito fixe, mas no que tocava a contar-lhe segredos meus, não era a melhor opção. Não podia sequer imaginar o que ele diria de toda a situação com o tio Júpiter e o meu namorado vampiro. Há certas coisas que uma rapariga não pode dizer a ninguém, especialmente ao irmão mais velho e mais imaturo que ela.
- Não ando a falar com ele! Essa é a questão! Ele não aguenta que eu não lhe fale! Qual é a dele? Anda armado em perseguidor…
Num segundo, a expressão de divertimento na cara do JP perdeu o lugar para uma de preocupação.
- Aquele gajo anda a chatear-te?
Olhei para ele, quase sem acreditar.
- Sim, anda, mas Deus, não dessa maneira! Eu sou bem capaz de lidar com os meus assuntos sem precisar da tua intervenção! – na minha voz estava o choque de ter o meu irmão a pensar coisas daquelas do Sérgio. Estava certo, ele era provavelmente o rapaz mais irritante que já tinha conhecido, mas não era desses, assim, maus e obcecados por natureza.
- Era só… Só para confirmar – assegurou o meu irmão, parecendo mais calmo. Depois, continuou – Mas bem, como é, queres deixá-lo lá fora?
Revirei os olhos.
- O quê, só agora é que chegaste a essa conclusão? Toda esta conversa teve como base essa assumpção.
- Mia, andas tão agressiva, caramba, sempre a atacar tudo e todos… Só queria ter a certeza. É que eu preciso de sair.
- Eu, a atacar tudo e todos? – agora, a mostarda subiu-me ao nariz e desceu pelas vias respiratórias directamente até aos pulmões – E tens de sair? Para onde? Limita-te a deixá-lo lá fora, ele não há-de te defrontar numa batalha campal em guerra pela porta.
Ele ergueu uma sobrancelha enquanto olhava para mim e eu ergui a minha para olhar para ele de volta.
- Ok. Vou ter com a Lilith, queres que lhe diga alguma coisa?
- Não, estive com ela agora. Ela ficou um pouco abatida, por causa da… Vanessa – até dizer o nome dela doía. Dói sempre saber que nunca mais vamos ver uma pessoa.
Também a cara dele se enevoou.
- Ah, está bem. Então vou indo. Até depois… Vê se o rapazinho não nos destrói a porta – acrescentou, quando ambos ouvimos, bastante dissonante, uma nova pancada na porta em conjunto com o grito “Mia, abre a porta, por favor!”.
Nunca tinha tomado o Sérgio como um histérico, mas naquele momento, juro, ele era um.
O meu irmão pegou no casaco dele e dirigiu-se para a porta. Sem resistir, fiquei a assistir, do corredor, escondida pelo bengaleiro.
O JP abre a porta de rompante. O Sérgio dá um salto para trás de meio metro, de susto e, talvez, vergonha. Diz, pacificamente “Oi, JP”, e o meu irmão responde-lhe, como que uma insinuação assustadora “Olá, Sérgio”. Eu sei que por dentro ele se está a conter para não se desmanchar a rir, mas também sei que o Sérgio o está a levar muito a sério.
Na meia hora seguinte, fiquei praticamente descansada, envolvida no mais pleno silêncio. Por momentos, até tive esperança de que o Sérgio se tivesse ido embora.
Mas claro, as minhas esperanças foram totalmente em vão, uma vez que ao fim de uns escassos momentos se ouviram de novo os ruídos da minha pobre porta a ser espancada pelos punhos do Sérgio.
Interiormente, amaldiçoava-o, por dentro, e soltava vocábulos impróprios, em voz alta, porque o nervosismo sob o qual ele me punha me deixava sem controlo. Quem é que ele pensava que era para bater assim na minha porta?
Com a fúria a dançar-me na mente como labaredas acentuadas, corri para a porta. Abri-a de rompante.
Esse foi o meu primeiro erro.
Se o Sérgio pareceu surpreendido por me ver, não o mostrou. Não me admirava. Não era de espantar que eu tivesse ido ali fosse reclamar com ele, uma vez que o que ele me estava a fazer tiraria a seriedade a qualquer um.
- Vais finalmente convidar-me para entrar?
- Não! – respondi-lhe, ainda mais irritada. Como é que ele podia achar uma coisa daquelas quando eu me estava a tentar conter para não lhe bater?...
- Então, para que é que vieste aqui? – perguntou ele, fazendo-se de desentendido.
- Para te mandar embora! – respondi, estupidamente, como que a constatar o óbvio.
Ele riu-se. Isso mesmo. O Sérgio riu-se, na minha cara, tal como se eu tivesse dito a piada mais engraçada do mundo.
- Estás a brincar, certo?... Se tu já sabias que eu não te ia obedecer, para que é que vieste aqui? – e riu-se, mais um bocado, como se não se conseguisse conter.
Eu sabia qual era exactamente o remédio para ele se conter.
De uma assentada, esmurrei-o no estômago com toda a força que a raiva me arranjou. Tal como eu previra, isto calou-o num segundo. Esta foi a minha oportunidade de sorrir, brevemente.
Contudo, este foi o meu segundo erro.
- Ei, porque é que fizeste isso, Mia? – perguntou ele, agarrado à própria zona abdominal.
- Porque mereceste. Agora vai-te! – e neste instante estava pronta para lhe fechar a porta na cara, mas ele colocou o pé no meio da abertura da porta, impedindo-me de a fechar.
Aqui, eu hesitei. Este foi o meu terceiro erro.
Porque de seguida, com o pé, ele aproveitou-se da minha hesitação, em que tinha largado a porta, e abriu-a o suficiente para entrar, o que fez facilmente, uma vez que me empurrou com o próprio corpo contra a parede junto ao bengaleiro.
Com o mesmo pé ainda, fechou a porta, e de seguida, colocou ambas as mãos nas minhas bochechas, delicadamente, no início, como se fossem uma coisa de frágil.
De alguma forma incompreensível, eu permaneci quieta, sem me debater. Talvez ele não tivesse tido a coragem de fazer o que fez a seguir caso eu me tivesse debatido. Mas eu vi-o ao longe, tal como tinha visto na primeira vez em que o Artur me tinha dado um beijo. E tal como nesse dia, já há quase uma semana, não pus entraves, embora, obviamente, aquilo que devesse ter feito era algo completamente diferente.
Porque eu nem queria saber do Sérgio. Acho.
E depois ele beijou-me, suavemente, muito devagar, como que esperando um novo murro ou, talvez, uma joelhada. Mas nenhum chegou, e assim, o momento tornou-se angustiante. Angustiante porque eu só pensava no Artur, em como era ele que eu queria ali, no lugar do Sérgio. Só pensava que desejava ardentemente não ter encontrado o Artur, naquele dia, mas sim o Sérgio. Agora, o Artur estaria aqui comigo, e seria preferível ter o Sérgio como o morto-vivo de quem tenho pena, do que o Artur como o morto-vivo que amo.
Tão subtilmente como tinha começado, foi o Sérgio que parou o beijo. E depois, olhou para mim, horrorizado, tal como se eu fosse um monstro ou uma tremenda decepção, e eu olhei para ele, horrorizada de volta, com medo da expressão dele.
- Tu nem sequer queres saber de mim…
Espantada, decidi atacá-lo antes que ele me atacasse a mim.
- Eu? Mas tu, tu é que me beijaste, outra vez, apesar de eu te ter dito que não quero nada de ti… - e disse-o com mais maldade do que aquela que gostaria, mas há tempos em que não controlamos a nossa boca.
E ele continuava a olhar para mim, cada vez mais… Desesperado, como se eu tivesse pegado em todos os sonhos dele e os tivesse tornado pesadelos, como se tudo o que fizesse fosse fazê-lo infeliz, como se eu fosse um monstro, mas não das bolachas, apenas um monstro, um monstro terrível.
Mas como se veio a revelar dentro de instantes, o monstro era ele.
- Como é que tu és capaz de deixar que eu te beije enquanto pensas no Artur, e que preferias que fosse eu no lugar dele? Como é que…? Argh – e estas palavras gelaram-me. Ele ouvia pensamentos? Por amor de Deus! Desde quando? O que raio é que se estava a passar com esta cidade?
E depois embateu-me, com toda a força, a verdade. Ele… Ouvia pensamentos. E o Sérgio não era a pessoa mais bem formada do mundo. Da mesma forma como ele tinha violado a minha mente, podia (e ia) violar a de outros! Eu não podia deixar isso acontecer… Um leitor de mentes não estava nos meus planos. Muito menos um que, por acaso, era o meu ex-namorado.
Oh Deus.
- Desde quando? – perguntei, quase sem acreditar, numa voz apagada.
- Desde ontem à tarde. Por acaso, toquei no Nêspera, sabes quem é, certo? Toquei nele e ouvi aquilo em que ele estava a pensar. Não perguntes o que era. Não era bonito. Não é bem ouvir, sabes, a sensação é mais de… “sentir”. Tal como se eu fosse essa pessoa por um momento. Mia, porque é que me detestas tanto?
Oh Deus. Ele ouvia aquilo em que as pessoas pensavam, e para isso, bastava tocar nelas. Pior, ele tornava-se elas. Como é que eu podia viver tendo conhecimento disto? Aconteça o que acontecer, Mia, não toques nele. Era nisto em que pensava. Se ele soubesse em que mais pensava, era capaz de ainda ficar mais chocado comigo, mas eu não me importava. Estava de consciência tranquila em relação àquilo em que estava a pensar agora. Mas não podia deixar que me tocasse. Nunca mais. Sob qualquer motivo.
- Porque é que me beijaste? – respondi à pergunta dele com a minha própria pergunta.
- Porque te amo – respondeu, de forma automática. Demasiado automática para ser verdade. Demasiado automática para ele saber caso não se tivesse convencido disso por pensar demasiado em mim. O comportamento dele cada vez se me assemelhava mais obsessivo. E eu comecei a tremer.
- Porque não te amo – respondi.
Notando que eu tremia, ele engoliu a minha resposta sem comentar e perguntou-me, hesitantemente, estendendo a mão dele para o meu ombro:
- Estás com frio?
Automaticamente, retraí-me. Não, não, não. Não me ia tocar nunca mais, e gritei-o com um “não”:
- Não!
- Que é? Porque não queres que te… O quê? Estás com medo que leia os teus pensamentos? Mas só te ia tocar na roupa… - agora parecia ocorrer-lhe, pela primeira vez, o que me ocorrera a mim.
Não lhe respondi. Ao invés, apontei para a porta, assertivamente, e gritei:
- Sai da minha casa.
- Mia! Eu não tenho culpa!
Ainda assim, não cedi e insisti de novo para que ele saísse. Desta vez, não houve qualquer hesitação. Por fim, como que ele se mantivesse especado no hall, mandei um enorme murro no bengaleiro, fazendo com que este caísse ao chão, fazendo um enorme estrondo, e eu gritei, novamente, mas desta vez com um som distorcido, quase como um dos guturais de que a Lilith tanto gostava:
- SAI!
Desta vez, ele obedeceu-me, e fechou a porta silenciosamente atrás dele.
Não, o Sérgio não era um vampiro que me precisava de ser convidado a entrar. Também não era apenas um ex-namorado irritante e sem vida própria. Agora, ele era um telepata. Espectacular, não? Esta minha vida estava mesmo a adoptar contornos interessantes. Deveria começar a fazer contagem decrescente para saber quando o João Marques da minha turma ia começar a uivar à lua cheia? É que já seria de esperar. Afinal de contas, na minha alucinação, ele era um lobo.
E o André, o meu amigo de longa data, agora um amigo quase perdido pelas sequências paranormais que se davam na nossa estreita cidade, um fantasma. Ou ninguém. Era verdade, de certa forma, que para mim, ele se tinha desvanecido.
Era já escuro. Deixei um post-it no frigorífico que dizia “Saí, volto tarde”. Talvez mais tarde viesse a ter problemas, mas já nem me importava. Tinha de ir ter com o Artur. Tinha de ir ter com o Artur, porque ele era o meu monstro preferido de todos os que por ali andavam. E não sei que faça. Porque quero tanto salvá-lo, e não o posso fazer.
Corri, pela noite, mas ainda não era tarde o suficiente para que ele já tivesse acordado. Não sabia o que esperar daquela noite. Nunca sabia o que esperar.
Mas talvez não pudesse, de facto, esperar nada dele ou daquela noite. Talvez ele destruísse o caderno, talvez ele o comesse. Não sabia. Não queria saber, porque tinha medo da resposta. Tinha tanto, tanto medo de tudo.
E em todas as noites em que me dirigi para perto dele, durante aquela quase semana, havia sempre um misto de esperança e de medo dentro de mim.
Sexta-feira à noite. Costumava ser o dia em que eu, o André e a Lilith saíamos e falávamos de coisas parvas. Não a noite em que a Lilith estava de cama, em que o André estava sabe-se lá onde, e em que eu ia embrenhar-me nas trevas profundas à procura do meu amado vampiro, se é que ele podia ser chamado vampiro. Tecnicamente, aquilo que ele era não era um vampiro, mas uma criatura sugadora de sangue que sofria de Alzheimer todas as noites e que durante o dia aparentava estar morta. O que era ainda pior.
Por fim, perdi noção do tempo, e sentei-me num banco de jardim próximo do Vendredi, sozinha. Não fazia ideia de onde ele pudesse estar hoje. Não podia saber… Mas ele vinha ter comigo. Eu sabia. Porque, de alguma forma, ele era atraído por mim. Essa era a única explicação para noite após noite se darem explosões tão apaixonadas e violentas entre nós os dois. Já tinha quase desfalecido nos braços dele e ele nos meus; e no entanto eram inegáveis os meus sentimentos por ele. Queria protegê-lo, enquanto que tinha medo do Sérgio. Há mais a temer num leitor de mentes do que numa sanguessuga.
Vi passar pessoas que iam para a agitação de sexta-feira à noite, mas apesar de olharem para mim e me reconhecerem, ninguém falou comigo. Eu não falei com eles. Não me compreendiam. Excluíam-me do que eram eles porque pura e simplesmente não me compreendiam, não sabiam como tabelar, especialmente agora que a Lilith estava em casa e o André me tinha semi-abandonado. E ninguém me falou. Como se não fosse ninguém, ou pior, como se fosse alguém de quem eles não gostavam.
Baixei, assim, o olhar, para os desobrigar de me notarem sequer para terem de tomar a difícil decisão de se hão de me falar ou ignorar. Ou talvez fosse simples, não sei. Talvez fosse eu que não os quisesse encarar, nunca mais.
Assim, foi apenas algum tempo depois que vi aparecer um par de sapatos pretos empoeirados debaixo no meu olhar tombado no chão.
Ergui o olhar. O Artur olhava para mim, das suas alturas quase divinas, com ares de dúvida, entalando nos dedos da mão direita um cigarro consumido até metade. Os olhos escuros adoptavam aquela expressão sem expressão, e fitavam-me com o que quase podia ser desdém.
Nunca em todas as noites que o vira até ali desde o incidente infernal do “antídoto” o vira tão semelhante àquilo que ele era antes de se tornar uma criatura da noite. Quase poderia achar que tinha tudo sido um sonho e que ele estava ali apenas como em qualquer outra sexta-feira à noite. Talvez ele ainda andasse com a minha prima. Talvez o próprio Sérgio ainda andasse com a Loira. Mas ainda assim, o que ele me disse não foi o de quem me conhecia, nem sequer o de quem me desprezava. Disse:
- Deixaram-te pendurada, miúda?
Suspirei. Sorri, tristemente.
- Sim, mais ou menos isso.
- Deixa, perda deles, ou dele, ganho meu. Como te chamas, miúda?
- Emília. Podes-me chamar Mia, se quiseres.
Dum momento para o outro, a face do Artur pareceu modificar-se ligeiramente. Mas como era costume do verdadeiro Artur, conseguiu manter a expressão facial neutra.
- Emília… É um nome muito comum?
- Não, nem por isso, era comum há uns anos atrás, penso, mas agora é bastante invulgar entre raparigas da minha idade.
Aqui, o ar pensativo do Artur intensificou-se.
- Conhecemo-nos? – perguntou, hesitantemente, como se não fosse importante.
Sorri, interiormente, mas o sorriso quase não me chegou aos lábios.
- Depende. Leste alguma coisa interessante, ultimamente?
Ele também sorriu, minimamente. Ainda assim, não deixou a face alterar-se.
- Não acredito que meti conversa logo contigo, que pontaria. E eu que só ia tentar encontrar alguém que te conhecesse.
Também eu, pacífica, respondi-lhe sem alterações emocionais a revelarem-se na minha voz. Quem nos visse, pensaria que podíamos estar a falar de qualquer coisa mundana, mas nunca sobre o assunto terrível que era o verdadeiro.
As pessoas continuavam a passar por nós, mas nenhuma nos falava. Nem os que tinham sido, há uma semana, os grandes amigos do Artur pareciam reparar nele, tal como se ele fosse invisível. Aparentemente, apenas eu e o Sérgio o víamos, mas eu não percebia porquê.
- Acho que tu tens algum tipo de atracção por mim. Todos os dias desde a semana passada que vamos sempre directos um ao outro, sem motivo algum. Mesmo quando tu estás… Bem, quando não estás em ti.
- Quando sou um monstro, diz antes. A história do caderno é um pouco inacreditável. Não faço ideia do que é que possa fazer a este caderno precioso no dia em que acordar um monstro tremendo… - constatava estas preocupação com descontracção, tal como um condenado que já se habituou à ideia de ter de morrer.
Fiquei em silêncio, por uns instantes. Também eu não tinha ideia do que poderia acontecer. Ele não esperou pela minha resposta:
- Sabes, Mia, acho que hoje estou num dos meus dias racionais. E portanto vou-te dizer apenas uma coisa, que me parece ser o melhor para ambos: mantém-te afastada de mim, para sempre.

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