Foi apenas no sábado seguinte, novamente no Vendredi, que pude falar de novo com o Artur. Tinha acabado de entrar, hoje só com o André porque a Lilith estava de castigo, e vi-o lá ao fundo, na mesa onde ele habitualmente se sentava antes de se comprometer com a minha prima e se tornar escravo dela.
Parecia perfeitamente à vontade, tal como se nunca tivesse tido namorada, tal como se a sua ex-namorada não andasse já nos braços dum outro vadio qualquer, como se não se importasse. E, quem sabe, talvez não se importasse mesmo.
- André, vou ali falar com o Artur. Ainda não lhe… Agradeci.
- Agradecer? Mia, o gajo só fez a obrigação dele. Qualquer um faria o mesmo…
- Mas ele perdeu a namorada por causa disso!
- Não perdeu grande coisa, deixa-me que te diga, aquela moça é o tipo de miúda que só me dá vontade de praguejar.
- Normalmente as que dão vontade de praguejar são as que te fazem sentir atraído, André – notei, com uma risadinha mínima.
Ele ficou, de súbito, bastante envergonhado, ainda que não tenha corado. O André nunca corava.
- Se eu me sentisse atraído por um bisonte daqueles, requeria imediatamente cirurgia cerebral.
- Está combinado, então, vou-te marcar a consulta – disse, antes de virar costas e me dirigir para a mesa onde estava o Artur com mais seis rapazes, ainda que todos muito mais baixos que ele. Uma coisa que não tinha notado até ao ver com um grupo, era que todo ele vestia preto. Tanto ele como todos os outros sentados àquela mesa. Alguns fumavam, e o Artur também o fazia. Todos tinham garrafas de cerveja à frente, alguns mais que uma. No entanto, esse não era o caso do Artur, porque eu reparei. Tinha apenas uma garrafa à frente e estava praticamente cheia. Ou seja, podia falar com ele, porque ainda não estava a tentar afogar as mágoas da separação…
Por amor de Deus, o moço não tem coração? Não é capaz de parecer minimamente, incomodado, ou apenas com uma ligeira impressão de mau estar?
Mas bem, olhemos para mim, aqui a desesperar porque o rapaz que terminou uma relação para me defender a mim e à Lilith não se sente triste. Devia sentir-me era grata e contente por ele. Afinal de contas, andar com a minha prima é a pior coisa que pode, na minha imaginação, acontecer a uma pessoa.
- Artur. Olá – comecei por dizer.
- Olá…? – cumprimentou ele, de forma duvidosa o que, embora não queira admitir, me desapontou.
- Vim para te agradecer. Por… Tu sabes. Dizeres a verdade. Lamento que te tenha dado tantos problemas.
Ele olhou para mim como se não estivesse a perceber. Isto desencorajou-me ainda mais. O André tinha razão, não devia ter ido falar com o Artur.
- O quê?
- Tu sabes, por dizeres a verdade à stôra de Biologia. Sobre a Matilde, a Loi… a Cátia, e a Lillith.
O véu negro do olhar não se levantou com a compreensão do que eu estava a dizer.
- Ah, isso. Não foi nada. Porque raio dizes que me deu tantos problemas?
Quem me dera ter a habilidade do André de ficar envergonhada sem corar. Sentia as faces a queimarem, e não sabia se era do calor que ali estava, humano e molhado, se do embaraço, se do fumo dos cigarros de todos aqueles quase bêbedos que continuavam a falar uns com os outros como se eu não ali estivesse, ainda que eu estivesse a gritar, devido ao ruído da música.
- Porque… Acabaste com a Matilde, certo?
Quase que podia jurar que neste instante ele tinha olhado para mim como se eu fosse uma piada. Uma mera piada, gigante e muito divertida, vestida com uns calções insuflados às risquinhas vermelhas e brancas, e um grande casaco verde com uma flor enorme na lapela.
- Sim – disse ele, devagar. Parecia estar a medir-me – Mas não foi por causa dessa história. Era o que mais faltava. A gaja é uma besta, desculpa lá que seja tua prima, e ainda acabava comigo? Ouve, eu é que acabei com ela, está bem? Já andava há anos para o fazer. Se o que circula por aí é que ela acabou comigo, corrige o rumor por mim, está bem? Mas raios, não interessa. Não acabámos por tua causa, miúda.
Agora senti-me ainda tingir ainda mais. Porquê, porque é que estava tanto calor?
- Não te preocupes, não me acho assim tão importante… Apenas… Apenas achei que…
- Ouve, está tudo esclarecido. Podes ir descansada, porque como vês, não vieste cá fazer nada – disse, justamente antes de se virar de novo para o rapaz com quem falava antes de chegar, para começar a falar com ele, e antes de se rirem os dois juntos, como se nunca tivessem sido interrompidos.
Odeio ser mandada embora. Acho que ninguém gosta. Ainda para mais, assim. Sem nos olharem de frente. Aquilo tinha sido de facto uma péssima ideia. Para a próxima mais valia ouvir o André e não me meter com ideias de simpatias e gratidões.
Juntei-me ao André, que estava já na mesa duns colegas dele de Física, e quando ele me perguntou como tinha corrido, limitei-me a sentar como se fosse um peso morto na cadeira ao lado dele, colocando a carteira no colo como se ela fosse uma peça tremendamente pesada e imóvel, espalmada sob as minhas mãos como o meu ego sob a indiferença do Artur.
Como se me interessasse. Ele tinha sido parvo o suficiente para andar com a minha prima. Que espécie de rapaz maravilhoso esperava eu que ele fosse?
Tal como o Sérgio. O Sérgio que acabava de entrar. Com quem? A Loira, claro. E porque é que eu me continuava a importar com um rapaz qualquer por quem tinha tido sentimentos dois anos atrás? Não interessava mais. As pessoas mudam.
Desculpei-me de que no dia seguinte tinha de acordar cedo para estudar Matemática com o André e saí do bar. Ainda assim, em vez de ir para casa, fui a casa da Lilith porque ainda era cedo, e ela, apesar de estar de castigo, podia receber visitas. Levei um filme de terror e vimo-lo de uma assentada. Muito sumo de tomate e muitos adolescentes as gritos. Todos os filmes de terror são assim. Depois do filme, voltei de seguida para casa. Cheguei a casa era meia-noite e meia.
Nessa noite, só adormeci às cinco da manhã, mas não por causa do filme. Já vira muitos piores e nunca tivera problemas em adormecer. Talvez a minha insónia se devesse aos acontecimentos estranhos, e a como eles não pareciam encontrar um encadeamento coerente. Contei mais que carneiros, penso que contei também uma alcateia. Por fim, adormeci desfazendo-me nas cores das pálpebras dos meus olhos. Essas começaram a fazer sentido, essas cores tornam-se formas, e eu sonho.
No meu sonho, há um banco de rua num sítio luminoso. Sento-me nele. Uma voz conhecida oferece-me uma flor. Pergunta:
- Uma flor?
E o rapaz que me estende a flor não é aquele que fala. O rapaz que me estende a flor chama-se Sérgio e tem uma namorada desprezível e extremamente loira. Namorada essa que não tarda a aparecer e a reclamar a flor para si. É um malmequer. Ela não gosta. Diz que é muito simples, cresce em todo o lado, deita-o ao chão. Mas toda a gente sabe (menos a Loira) que os malmequeres não crescem em Novembro. Apanho-o, assim, o meu malmequer, enquanto o casal de loiros se esfuma para outra esquina, e tiro-lhe as pétalas uma a uma. Mal-me-quer, bem-me-quer. Mal-me-quer, bem-me-quer. E no entanto, quando estou prestes a arrancar a última pétala de bem-me-quer, o malmequer arde-me nas mãos (mas sem queimar) e cai feito cinzas no chão. As cinzas caem em forma de tocha. Uma tocha gigante que é, afinal, uma esfregona.
No dia seguinte, para mal dos meus pecados, fui informada de que íamos almoçar a casa do tio Júpiter. Não que eu desgoste dele, eu adoro o meu tio. O problema era que, provavelmente, a tia Daniela também ia e, por conseguinte, a minha querida prima Matilde.
O JP também não estava feliz por isso, uma vez que significava ter de se levantar antes das cinco da tarde. Muito antes.
Mas fomos.
Felizmente, nessa semana, a tia Daniela tinha decidido não vir.
- Olá, minha sobrinha fantástica! Há quanto tempo! – saudou-me o tio Júpiter, excêntrico como sempre. Trazia uma camisa de cowboy cor de rosa e um monóculo no olho esquerdo. Muitas vezes me perguntava se ele iria assim para o consultório.
- Olá, tio.
- E tu, João Pedro, como estás? – perguntou o meu tio, dando duas pancadas do ombro do meu irmão.
- Bem, e o tio?
- Oh, tu já conheces este velhote. Sempre de capacete posto para as curvas.
- Ana Maria, minha querida nora, está tudo bem contigo?
- Sim, Júpiter, estou muito bem, obrigada. Como está o seu problema de rins? – perguntou, educadamente, a minha mãe. Não sabia porque é que ela era sempre tão politicamente correcta com o meu tio, quando ele próprio era, para ser clara, um cromo.
- Melhor, descobri um medicamento espantoso! Zé Luís – saudou de seguida, virando-se para o meu pai – Como vai o trabalho?
- Muito bem. E o teu?
- Perfeitamente. Vamos, então, almoçar? Hoje cozinhei um arrozinho de coelho daqui – e segurou o lóbulo da orelha.
Comemos, eu, o meu irmão e os meus pais muito mais rapidamente que o meu tio, mas, a seu tempo, até ele conseguiu terminar, apesar da sua tagarelice infindável.
Eventualmente, o meu tio decidiu ir buscar o seu aspirador novo para mostrar aos meus pais. Ao invés do que seria de esperar, não pediu ao meu irmão para o ir ajudar a trazê-lo. Não. Pediu-me a mim.
Não que me importasse. Sempre gostei de passar tempo com o meu tio.
- Emiliazinha, conta-me da tua vida. Tudo bem? Tudo normal?
- Sim, tio. Tudo muito normal – respondi, corriqueiramente. Afinal, aparentemente, aquela parecia uma conversa corriqueira.
Contudo, de súbito, o meu tio tornou-se sério e as feições divertidas dele tornaram-se rígidas. Não era corriqueiro.
- Eu sei que as coisas estão estranhas, Emília. Podes parar de fingir comigo.
Penso que o meu instinto naquele momento foi puxar a cabeça para trás dum baque e endireitar-me de rompante. Quase que senti os olhos saltarem-me das órbitas por um segundo, como naquele filme do homem verde vestido de amarelo, Mask.
- Como é que… Como é que o tio sabe?
- Ora, ora… Eu sei muitas coisas.
E pegou no aspirador e começou a levá-lo, sozinho, para a sala.
- Espere, tio. Explique-me só, o que é que sabe, exactamente?
Ele deu uma risada ribombante como um imenso trovão divertido.
- Há um vírus terrível à solta. Está a soltar toda a monstruosidade que há nas pessoas. E prepara-te, Emília, isto só vai ficar pior.
- Um vírus?
- Tu és racional, não és? Nada como o teu irmão – a voz do tio teve, neste ponto, uma curta nota negativa – Pois, não podes apenas achar que tudo isto que está a acontecer são meras coincidências ou, pior, fantasmas!
Nesta altura, lembro-me que me ri também, lembrando-me do director da escola, falando ao telefone.
- Era eu, ao telefone, naquele dia, Emília. Era eu com quem o teu director estava a falar. Sei que lá estavas porque tossiste, e a tua tosse é inconfundível.
- O tio? E então? Porque é que o director lhe ligou?
- Sabes que como sou médico, toda a gente acha que sei resolver todos os problemas. Não é verdade. Mas neste caso, sim, é possível. Só tenho de descobrir o vírus que está a causar tudo isto para poder criar um antídoto.
- Um antídoto? E o tio é capaz?
- Emília, eu sou o teu tio. De que é que não sou capaz se digo que sou? Agora uma coisa, promete-me que não dizes nada a ninguém.
- Claro. Um vírus à solta. Já sabem demasiadas pessoas.
E carregámos juntos com o aspirador para a sala onde a minha família aguardava com impaciência e em completa inocência.
Na quarta-feira seguinte, o tal teste de Matemática aconteceu. Entrei na sala 34. Esta sala tinha também mesas encostadas às paredes. Como todas as outras mesas já estavam ocupadas, sentei-me numa dessas.
Filtrei todos os pensamentos que me incomodavam. Perdi a noção de espaço, tempo e presença. Eu era apenas um raciocínio num universo onde só existiam números, fórmulas e espaço. Sentia linhas rectas atravessarem-me de cima a baixo, e também o estômago, fazendo um ângulo recto com as restantes. Sentia planos. Sentia um universo em que todo o universo era constituído pelo que não se é, mas pelo que faz sentido que seja.
A Matemática é um mundo muito mais harmonioso que o real. Talvez por isso, não inspira muito a grandes textos poéticos.
Resolvi os exercícios como se eles fossem toda a minha vida, naquele instante.
E concentrei-me.
Quando, por fim, tinha terminado o teste, permiti-me levantar a cabeça e olhar para trás para ver quais as expressões dos meus colegas de turma.
Este foi provavelmente um dos momentos mais assustadores da minha vida.
Atrás de mim estava, ou talvez tenha estado o tempo todo, uma monstruosidade. Quando digo monstruosidade, quero mesmo dizê-lo. Todos os meus colegas estavam convertidos em monstros. O João Marques, por exemplo, na primeira carteira, coberto de pelos, ainda com as roupas vestidas: um lobo. Ou talvez um lobisomem, ainda que bastante diferente daqueles ridículos da TV e dos filmes de Twilight. E a Vanessa, na carteira mesmo atrás de mim, uma criatura de pele molhada e viscosa, com os cabelos castanhos longos, longos, longos a arrastar junto aos pés. E tantos outros… Pessoas com a pele a borbulhar com crostas parecidas a pepitas de chocolate (como se todas fossem Chipmix humanas), pessoas sem braços e com uma grande pata munida de garras ao invés, pessoas de longos e grossos dentes feitos presas, e o André, o meu querido amigo, uma entidade translúcida e imóvel, com uma pequena gota quase transparente pendendo dum dos olhos. Os óculos, em vez de postos, estavam caídos na secretária, tal como se o corpo dele não fosse suficientemente denso para os segurar. Via-o, desesperado, tentando agarrar numa caneta.
E o mais aterrador de tudo aquilo? Não se ouvia qualquer som. Nem um só gritara, achando horrendo o que estava a acontecer. Ninguém gritava. Excepto eu.
E ai, se gritei.
Lembro-me que a certa altura, enquanto gritava, me perguntei se eu própria estaria, tal como eles, num estado monstruoso. Mas este pensamento absurdo calou-se enquanto o stôr de Matemática se levantou do seu lugar e mandou um berro:
- Emília, que está a fazer? Porque grita? Cale-se e faça o seu teste!
E no entanto isto só me fez gritar mais porque o stôr, o próprio stôr, era uma mancha azul escura a duas dimensões como que uma grande rasura numa folha de papel quadriculado.
- Emília! CALA-TE OU TIRO-TO TESTE! – gritava a mancha gigante. E eu só era capaz de gritar mais, mais, mais… Porque estava tudo tão errado!
Como podia aquilo ser um vírus? Como podia aquilo ser apenas obra de agentes patogénicos? Eu não podia crer.
- Acabou-se, Emília, rua! Não podes mexer mais no teu teste! – decidiu a mancha.
E de bom grado, eu obedeci. Corri porta fora, sempre a gritar, até me conseguir fechar na casa de banho. Aí, parei de gritar. Chorei. Tal como o André, ou deverei dizer fantasma? Eu chorava, de susto, de medo, e já nem sei bem porquê. Chorava, e chorava tanto. Chorava como se quisesse excretar não só a água, mas também a cara, e também tudo o que era. Quando entrara na casa de banho olhara para o espelho e nada vira. Nada vira senão a mesma rapariga que sou todos os dias. Não vira senão feições humanas. Não vira nada que fosse comparável àquilo que vira na sala 34.
Não contente com o espelho, não acreditando que eu ainda era eu, pensando que podia ter algum tipo de mutação não tão evidente como as dos outros, entrei na cabine e despi-me. Procurei defeitos. Procurei a minha própria monstruosidade. Mas não a achei. E então, comecei a chorar.
Não sei já se chorava pelos outros ou por mim, se chorava por pena deles, se chorava por mim porque estava assustada, ou se chorava por mim porque não me tinha transformado também em monstro. Todos o tinham feito, porque não eu? Tinha eu algo a menos que eles? Egoísta, sim, mas não pertencer… É ainda pior que ser um monstro!
As maiorias vencem as minorias. Se agora vão ser todos monstros, não será possível que iniciem a caça ao humano?
E eu divagava já, porque não era possível, não era possível aquilo que tinha visto. Não era possível aquilo em que se haviam tornado, e não era possível que não se dessem conta. Aquilo tornava-se um pesadelo, sim, era mesmo isso, era um pesadelo, e eu sonhava, era a continuação do meu sonho do malmequer, e nada mais.
Ou talvez esteja louca.
Este pensamento inundou-me como um tsunami. Senti-me submergir num grande mar negro e salgado, em que toda a sanidade mental se entornava como um grande copo de pé tombando, ou antes, fragmentando-se em milhões de pequenos vidros que se juntavam para formar uma janela... Uma janela que se desfaz de novo e me faz sangrar. O meu sangue… O sangue dele. O sangue dele no dedo dele, mordido por uma rapariga loira. A rapariga loira que me mandou a flor ao chão. A flor. As dúzias de flores formando o padrão de um vestido duma mulher que luta com outra com esfregonas com as pontas em chamas, como se fossem grandes tochas. Tochas ardentes. Ardentes de um grande fogo que se torna eu própria, enquanto a cara arde, arde, arde, e os olhos se liquefazem, liquefazem, liquefazem.
Talvez a minha mente esteja mesmo doente. Talvez tenha enlouquecido.
Mas não. O tio Júpiter também deu conta.
Talvez tenhas sido só tu a dormir, ou a sonhar, ou a alucinar. Tu só alucinas, Emília, não é verdade? Alucinaste e pensaste que o Artur foi simpático contigo, quando na verdade tudo o que ele fez foi tratar-te como quem és para ele: Ninguém.
Agora achas que todos os rapazes que te oferecem um cigarro se importam se sofres ou não? E depois convertes cigarros em flores em pesadelos terríveis, são todos pesadelos terríveis.
E o Sérgio? Quere-lo de volta? Mas tu é que acabaste com ele. Por causa dum pacote de pipocas. Se isso não prova que o copo já se entornou há uns tempinhos, não sei o que provará.
Oh Deus, vou ser internada. Se calhar, vou ser acorrentada a uma cama, 24 horas por dia. E vou ficar gordíssima por não me poder mexer.
E não vou poder ver o André e a Lilith. O André-fantasma e a Lilith… A Lilith! O que lhe terá acontecido?
Saí da casa de banho, com os nervos devidamente restabelecidos e devidamente vestida e dirigi-me à porta da sala 34. A porta estava fechada. Não sabia se alguma vez iria encontrar a coragem para a abrir. E pensei no que podia acontecer se a abrisse: podia ver, do outro lado, os monstros que vira há pouco. Podia, também, ver apenas as caras de todos eles, as caras normais de cada um, e isso significava que enlouquecera, que sonhava ou que, quem sabe, talvez tivesse morrido e entrado numa realidade alternativa por momentos.
Não sabia qual das duas era a melhor opção. Pensava no ridículo da situação. Na impossibilidade da situação. Pensava que sonhava, e doía-me a cabeça, ou antes, sentia as barreiras entre o alcance da minha mente e aquilo que não achava, que não compreendia, sentia-as a comprimir-me numa realidade única, irreal, e nem sabia que fazer, se gritar, se esperar, se abri a porta, se temer ou aceitar.
Felizmente, a campainha decidiu por mim, tocando, na mesma forma regular como de costume. E eu ali, estava, em frente à porta, num átrio vazio, inexplicavelmente. Todo silêncio da Terra parecia ter sido ali conjurado, só para mim e para os meus medos.
E a porta abriu-se. A Lilith enfileirava a multidão que se movia para fora da sala.
sábado, 14 de novembro de 2009
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Porque é assim que eu estou a ir :) A verde mais escuro são os meus melhores dias. Os dias a vermelho são aqueles em que não cumpri o que devia ter escrito...
gostei mt, continua, xau, beijinhos xD
ResponderEliminarAhahahah =P
kiding =)
Bem, vou começar por dizer que este texto é.... espectacular :D
Mesmo do género que eu gosto =)
Nunca me vais convencer que este texto está horrivel, está apenas diferente daquilo que tu costumas escrever (tirando aquele texto optimo que me mostraste uma vez, sobre a rapariga das "mentiras", tambem estava muito fixe)
Gosto da Emília, apesar de às vezes ela ser um pouco estranha, mas quem não é?
A Lilith acho que foi feita um pouco à tua imagem não? é parecida contigo ^^
O André é aquele amigo rapaz que todas gostavamos de ter, pelo menos até à parte do texto que li =D
O Sérgio... no coments xD
O Artur... esse aí anda parvo mas eu prevejo romance, digo eu ^^
Tio Júpiter: talvez queira ser tua sobrinha, depende do que vier a seguir xD
As outras (Loira, Matilde) so tenho uma coisa a dizer: "Olhem-se ao espelho, mas o espelho da alma, nao aquela cena simples feita de areia que so reflete uma mascara de nos proprios"
bye bye *