domingo, 15 de novembro de 2009

A 2ª Noite

No dia seguinte deixei-me dormir e só acordei com o JP a gritar porque eu estava atrasada. Levantei-me, tentei fazer a minha vida o mais normalmente possível.
Mas nada era natural. Nada era normal.
Como a Lilith continuava desaparecida, sentava-me sozinha nas aulas, excepto a Inglês, disciplina em que me sentava com o André.
Não sabia ainda hoje porque tinha escolhido Inglês. Era uma disciplina que detestava. O André, por seu lado, adorava-a. Apenas a escolha entre Inglês e Química ou Física não era muito complicada. E de qualquer das formas, não há que negar a importância do Inglês.
- Good morning – cumprimentou a stôra. Respondi-lhe com um “bom dia” pouco concentrado. Tinha imensos motivos para me sentir com falta de atenção. Mas claro, ela não sabia. Assim, tentei adoptar um comportamento linguístico activo.
O Sérgio também tinha Inglês. Nem a Loira nem a minha prima aguentavam com aquilo, como é evidente, mas o Sérgio estava ali. Não sabia se isso se devia à devoção à língua ou a devoção ao ócio, uma vez que ele tinha sido sempre muito bom a Inglês e fazia questão de dizer a toda a gente que nunca na vida tinha estudado para tal disciplina.
Sentava-se na fila de trás, na segunda fila a contar da porta. Eu, doutro modo, sentava-me com o André junto à parede. Distância suficiente? Nunca se sabia.
E pensei naquele momento: o Sérgio não estaria ali se lhe tivesse chegado a dar o dito antídoto.
Aquele antídoto que era, afinal, um veneno.
Não sabia se preferia que o acontecimento tivesse sucedido com o Artur, que me beijara, ou com o Sérgio, que não lutara por mim quando eu acabei com ele, dois anos atrás, por um pacote de pipocas.
Porque a verdade, por mais que me custasse, é que continuava a sentir comichões e borboletas nos sítios mais improváveis só de pensar nele. Não podia dizer que fosse o amor da minha vida, nem pouco mais ou menos.
Talvez o Artur fosse o amor da minha vida.
Mas não se podia dizer que ele tinha sido como o Pedro Amora, com quem andara no 7º ano até a minha prima decidir que gostava dele e ele me trocar por ela; ao fim do mês o pobre do rapaz só me dava dores de estômago, só de pensar que tinha gostado tanto dele; também não tinha sido como o David Jerónimo, por quem senti uns devaneios no 9º ano, e com quem sou capaz de ter andado durante duas ou três semanas até ele ter acabado comigo acusando-me de ser demasiado controladora. Eu, controladora, que até passava dias e dias sem lhe telefonar ou mandar mensagens. Mas pouco me importou, porque após a raiva instantânea, nada mais ficara dele. Ambos os dois rapazes eram-me agora tão indiferentes como uma nuvem no meio dum céu tempestuoso. Já não éramos nada uns aos outros, nem nos falávamos, apesar de nos vermos praticamente todos os dias. O próprio David Jerónimo estava sentado duas carteiras atrás de mim, naquele preciso instante, na aula de Inglês, e eu não queria saber dele.
Porque no ano a seguir a andar com ele, tinha conhecido o Sérgio. Fôramos felizes durante, o quê, sete meses? E depois tinha acontecido o incidente do pacote de pipocas. E passámos a evitar-nos com toda a urgência, como se o facto de sequer nos vermos fosse demasiado doloroso para acontecer.
Admito que o momento em que acabei com ele tenha sido um dos maiores erros da minha vida, na verdade, logo a seguir na lista ao acontecimento da noite anterior em que dera o “antídoto” ao Artur.
Mas também era verdade, não me imaginava com o Sérgio para sempre. Não me imaginava a casar, ter os filhos dele. Quem sabe, divorciar-me dele.
Não imaginava o Sérgio fora do contexto que era a minha vida até aquele momento. E sabia que era provável que após sairmos daquela escola nunca mais nos voltássemos a ver ou a falar um com o outro.
Era pena, no entanto, que tivesse terminado assim.
E depois, havia o Artur, que nem sabia que amava até lhe ter descoberto o caminho para os olhos dele e para o seu significado.
Às vezes, obcecamos com paixões platónicas que nunca se consumam, ou obcecamos com uma pessoa ainda antes de a conhecermos, que sonhamos com pessoas que mal vimos, que sonhamos por sonhar, que gostamos porque temos de gostar de alguém para termos com que nos ocupar. Estar apaixonado é bonito, nem que seja só para darmos tinta à nossa vida.
Mas há outras vezes em que estamos tão cegos com o passado que nem nos apercebemos do que temos à nossa frente, até que isso que está à nossa frente nos beije na boca e morra de seguida. Admitam, isto dá um novo significado à expressão “não ver até ser demasiado tarde”. Agora, dava por mim apaixonada por um vampiro que me queria comer viva. Que fazia agora? Temperar-me, literalmente, em condições antes de ir ter com ele de noite?
Porque era o que eu tinha de fazer. Era responsabilidade minha o que lhe acontecera. Agora tinha de verificar que ele não se magoava nem a ele, nem a outros.
Porque aquele era o monstro que me tinha libertado da fascinação, feitiço, até, lançado pelo Sérgio. Não o podia perder. Ainda que o Sérgio fosse mais jeitosinho que o Artur. Sarcasmo.
Suspirei, e tentei concentrar-me na aula. Virei-me para o André e começámos os dois a falar duma nova série na televisão. Era uma série sobre vampiros e lobisomens.
- Lady and gentleman, are you talking about anything related to the class? – perguntou a stôra, e quase que podia jurar que lhe estava a sair um fumo de cor estranha do cabelo. Acontecimento estranho? Fantasmas? Nem por isso, era algo que parecia acontecer todas as aulas.
E o meu tio, teria mentido? Ter-se-ia enganado? Teria sido de propósito? Raios, porque não tinha eu bebido aquela mistela? Ao menos o Artur teria hipóteses de estar bem naquele momento, e não morto, como eu desconfiava que ele estivesse.
E se o meu tio tinha mentido, seria aquilo tudo, de facto, um vírus? Ou seria um veneno dado a determinadas pessoas para que sofressem de alucinações? Esta era a explicação que me parecia mais razoável. Ou existiria mesmo paranormal e tudo aquilo em que acreditara até à data eram nada senão linhas de orientação muito, mas mesmo muito, erradas?
- No, we’re sorry. – respondeu o André. O meu inglês era tão básico que provavelmente nem seria capaz de responder a algo tão simples sem um erro gramatical de alto grau.
Durante o dia não sucedeu nada que merecesse registo. Um observador menos atento até poderia constatar que parecia tudo de volta ao normal. Nenhuma funcionária com nenhuma esfregona em chamas nos corredores, nenhum miúdo a saltar por janelas no telhado, ninguém a morder ninguém… Ou pelo menos na minha presença. Também era possível que se estivessem a guardar para os momentos em que eu virava costas. Ou talvez nem por isso.
Nessa noite, fingi que me fui deitar cedo. Sabia que agora ia ter de sair todas as noites às escondidas, custasse o que custasse. Não podia deixá-lo sozinho, nem que isso comprometesse a minha vida. Afinal de contas, a culpa do que acontecera era minha e das minhas grandes e maravilhosas ideias! Porque é que não fora capaz de apenas tomar aquilo? Porquê?
E na minha cabeça surgiu, nítida, a acusação do Artur antes de morrer: “Mataste-me”. “Mataste-me”. “Mataste-me”. E repetia-se ainda mais. Seria possível que o tivesse feito? Tinha-o morto, assim? Tinha-me ele culpado, naquele instante derradeiro.
Uma palavra destas, uma afirmação assim, pode traumatizar uma pessoa até à morte.
Eu sabia que eu estaria, não fosse o sonho que tive em que ele me falava como me tinha falado antes de lhe dar o maldito antídoto.
Saí sem ninguém dar conta, sem me esquecer das chaves. Corri para o Vendredi e depois para o espaço escuro e isolado para onde o Artur me tinha levado na noite anterior. Por via das dúvidas, tinha trazido um desodorizante (como não tinha spray de pimenta) e um terço da minha mãe. Era provável que ele nem sequer fosse vampiro, mas por via das dúvidas, nunca se sabe. Há que jogar pelo seguro. E eu não ia ajudá-lo de certeza se estivesse caída no chão, morta e lívida e, quem sabe, a cheirar muito mal.
Portanto, mal me aproximei do local, parei de correr e avancei de forma bastante cautelosa. Passo por passo. Expiração, inspiração. Olhos atentos a qualquer movimento sob a lua. O dia estava nublado, logo a luz da lua era mais difusa que normalmente.
Mas todas as minhas preocupações eram em vão. O Artur estava deitado no chão, caído, como se tivesse morrido de novo. Aproximei-me dele, quase com medo que fosse uma armadilha. Trazia o meu desodorizante em posição de ataque.
O peito dele não se movia. Sem largar as precauções, aproximei-me e peguei-lhe no pulso, e percebi que não tinha qualquer movimento sanguíneo.
De súbito, tal como na noite anterior, pareceu ganhar vida, e no preciso instante em que lhe ia largar o pulso, o sangue começou a correr, primeiro muito devagar, e depois mais ritmadamente. Pus-lhe a mão sobre o peito e senti o coração a mover-se. Também o seu peito dava sinais de começar a respirar.
Foi como se me queimasse, num instante. Larguei-o e afastei-me vários passos.
E esperei, com medo, que ele renascesse.
Os olhos dele abriram-se, não tão de súbito como na noite anterior, mas antes como se fosse um garoto algo travesso, a acordar preguiçosamente.
Espreguiçou-se. Fez menção de se levantar. Nesse momento apercebeu-se da minha presença.
- Olá, boneca. Conhecemo-nos?
A abordagem era certamente menos assustadora que a da noite anterior. Contudo, a mesma realidade se voltava a restabelecer. Ele não se lembrava de mim. Outra vez.
Estaria ele destinado a conhecer-me todos os dias da sua vida, e eu a ter de me apresentar todos os dias.
- Conhecemo-nos agora – respondi, guardando para mim os meus medos e desapontamentos. – O meu nome é Emília. O teu?
- Artur – respondeu ele. Depois pareceu confuso por uns instantes, e acrescentou – Embora não tenha a certeza de que me lembre de muito mais.
Ele está com amnésia. É como se vivesse o mesmo dia múltiplas e múltiplas vezes. Ou, pelo menos, era isso que me parecia.
Mas talvez não fosse boa ideia confrontá-lo com isso. O meu objectivo por estar ali era protegê-lo a ele e a outros, não tentar provocá-lo.
- Não te preocupes. Daqui a nada lembras-te. Deves estar de ressaca… - e tentei-me rir descontraidamente.
Ele riu-se comigo, embora ainda muito confuso.
- Ei, queres vir dar uma volta? – perguntei, como quem não se interessa muito.
Ele encolheu os ombros e disse, sem grandes hesitações:
- OK. E se por volta queres dizer… Tu sabes, algo mais… Interessante, por mim tudo bem – piscou-me o olho.
Esta era uma grande diferença em relação ao dia anterior. Era quase como se fosse o verdadeiro Artur que ali estivesse, à minha frente. Não que o verdadeiro Artur tivesse tido muitas oportunidades para namoriscar comigo ou sequer para mandar a mais ligeira das indirectas, mas este Artur era muito mais saudável e muito mais normal que o Artur do dia anterior.
Este Artur fazia-me… Sorrir.
- Não te incomoda fazeres esses comentários a uma rapariga que acabaste de conhecer? – disse, rindo-me, porque me sentia mesmo bem. Muito melhor. Quase nem me lembrava da Lilith e do meu tio e que o Artur que ali estava morria todos os dias.
- Incomodar? Claro que não. Parece-me correcto. Provavelmente vais achar estranho, mas parece-me que te conheço!
Se ele soubesse o quanto esta frase me iluminava de esperança e me fazia esperar que ele voltasse, tal como naqueles curtos instantes – porquê, porque é que fui tão parva e quis fazer a escolha certa? Porquê?!
- Aposto que dizes isso a todas as raparigas… - disse, contrariada.
- Apanhaste-me. A verdade é que sei que nunca te vi, caso contrário jamais me teria esquecido desse ar tão fofo que tu tens…
Não só a minha esperança se esvaiu como água pelos canos, como também comecei a suspeitar que ele estava bêbedo, ou pior. O que tinha acontecido à fome dele? Ele ontem tinha acordado com tanta, tanta fome…
Não sabia como a tinha saciado. Até tinha medo de pensar nisso. E hoje nada mais fazia que elogiar-me e dizer despropósitos. Seria aquilo mesmo uma coisa boa? Não devia fugir? Talvez, mas eu não podia fazê-lo. Tinha vindo ter com ele por um motivo.
Tinha de obedecer às minhas responsabilidades.
- Olha, tens um cigarro? Estou mesmo a precisar dum.
Pelos vistos, os vícios não se anulavam com a morte.
- Não, não tenho nenhum.
E assim, passávamos do momento que ele me oferecia um cigarro num banco de jardim, para o momento em que me pedia um cigarro algures em lado nenhum.
As coisas mudam mesmo muito. Ou talvez não tanto.
- É pena. Não queres ir comprar? Já que estás mesmo numa de dar voltas… - sugeriu ele, agora parecendo aborrecido. Parecia que era o pior que lhe podia acontecer, estar ali só a andar. Parecia ficar irritado, lentamente. Como se um stress enervante o comesse de dentro para fora. Aquiesci.
- Sim, vamos então. Mas sabes que no instante em que meteres um na boca, perdes todas as hipóteses de te divertires comigo. Não suporto tabaco – adverti-o. Ele não parecia chateado. Antes pelo contrário, riu-se, como se tivesse contado uma piada espectacular.
- Temos mais dias para isso, então. Temos muito tempo para passar à próxima fase, boneca – Se ele soubesse, não conseguia evitar pensar - Mas se insistes mesmo…
E assim, ali mesmo, agarrou-me. Beijou-me, ainda com mais vontade com que o tinha feito anteriormente. Tal como se, no fundo, soubesse a verdade. Tal como se, na verdade, ele soubesse que daí a horas já não ali estaria.
Apesar de ser errado, apesar de saber que isto talvez só lhe pudesse estimular o apetite, e apesar de saber que ele tinha morrido, e que ia morrer de novo dentro de algumas horas, não quis saber de nada. Beijei-o de volta.
Talvez não interessasse quem nascia ou morria. Talvez apenas interesse que estejamos vivos. Respirei-o para os meus pulmões e enregelei-me por dentro, senti o peito estalar como se o frio queimasse. E nem quis saber.
Era Novembro, estava um gelo de morte, e não queria saber. Se piorasse, antes melhor. Porque eu estava perdida para o mundo nos braços de um vampiro, ou o que quer que fosse que o Artur fosse. Já nada me surpreendia na terra debaixo do sol, debaixo da lua. A minha vida era naquele instante um filme de terror, estava certo, que interessava que os canibais se erguessem das sepulturas, que interessava que as casas ardessem e se desfizessem em cinzas e que as pessoas fugissem, cheias de medo?
A minha vida parecia quase perfeita, debaixo da lua desbotada, a grande nódoa que vira no dia em que telefonara à Lilith, pensando em contar-lhe acerca do que pensava. Não lhe tinha contado nada, mas que mais interessava agora? Ela tinha desaparecido. Não tinha forma de saber o que lhe acontecera porque a única pessoa que me podia ajudar tinha morrido e se tinha tornado em sabe Deus o quê, pela minha própria mão.
Portanto, que mais interessava? Deixai a vida ser complicada. Não há mágoa que não venha sem a chamarmos. Esperemos, então, por ela, e gozemos a vida, debaixo da lua, como pudermos.
O único motivo pelo qual as pessoas não são felizes é porque elas não querem ser felizes, as pessoas não querem estar livres de problemas. Para se ser feliz, é preciso ter-se um objectivo, e ser-se corajoso o suficiente para lutar por ele. Ninguém quer ser feliz, porque para eles, ser feliz é atingir os objectivos e não ter problemas. Eu sempre fui assim, mas naquele momento, no meio de nada, com o Artur, o homem morto, eu percebi, que não interessava o que fizesse, a vida ia continuar a doer. E ainda bem que doía, ou momentos como aquele não teriam qualquer tipo de significado.
Recusava-me a deixar as pegadas que tínhamos traçado antes interporem-se entre nós e a felicidade. Talvez ele fosse assim todas as noites. Talvez pudéssemos ser felizes juntos, para sempre. Talvez eu conseguisse obter do meu tio o que quer que fosse que ele me tinha dado para o Artur e me pudesse tornar no que quer que fosse que ele fosse. Não podia ser assim tão mau… Ele parecia feliz. Parecia saudável… Ele parecia… Alguém capaz de ser, sem se magoar e sem doer. Ele parecia… Feliz. Ignorante, mas ainda assim, feliz.
Era nisto que pensava quando a boca dele desceu da minha, dando pequenos e gentis beijos em todo o meu queixo até chegar ao meu pescoço. Ainda aqui, ele me dava beijos e eu sorria. Sentia-me feliz, também. Esquecia-me de tudo o que era mau. Senti-me tão… Vulnerável e inocente, naquele momento.
No momento seguinte, doeu. Senti os caninos dele cravarem-se como agulhas finas na minha pele tenra e doeu. Mal senti o calor do sangue a escorrer pela minha pele, pelas roupas… Senti-o sugar, senti-o alimentar-se de mim.
O pior de tudo? Apesar da dor, apesar da mágoa, adorei que ele se alimentasse de mim. Isso mesmo, adorar é a palavra. Não conseguia dizer-lhe para parar, não conseguia fugir dali, porque sentia os meus olhos rebolarem sobre eles mesmos e eu estava a adorar aquilo. Pensei que podia ficar assim para sempre, com o Artur a alimentar-se de mim, o Artur ali, colado a mim, com as mãos firmes cravadas na minha cintura. Também eu me agarrava a ele, como se ele fosse o centro da Terra e eu a gravidade. E quanto mais ele bebia, com mais força me segurava. E mais feliz eu me sentia, menos doía, de certa forma. E eu sentia-me incapaz de dizer palavra ou de mover um milímetro que fosse. A certa altura, perdi a força nos braços e larguei-o, ficando os meus braços a pender. Contudo, ele não me deixou cair, mesmo quando senti os meus tornozelos a vaguear algures, caídos. Aos poucos, a cor da noite era tudo o que via e a lua era cada vez menos nítida, como uma nódoa a ser terrivelmente esfregada, sem misericórdia, sem piedade.
Nos filmes, quando um vampiro suga o sangue de alguém, é extremamente rápido. Na vida real, não é assim. É longo, é doloroso, mas também extremamente maravilhoso. Lembro-me de pensar que aquilo era… A melhor sensação da minha vida. Claro que eu não tinha ainda grande experiência romântica, mas parecia-me impossível algo melhor que aquilo.
Lembro-me também de pensar, no meu último momento de consciência:
“Vou morrer”.
E desmaiei a sorrir com o estranho sabor a erotismo presente naquele último pensamento, naquele último momento.

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